Pessoas que reclamam demais nos
norteiam todos os dias. Reclamam de seus empregos, de seus filhos, de suas
frustrações e de cada ponto de suas vidas. Alguém poderá dizer que reclamar é
algo normal e outros assegurar que é até uma atitude saudável. Bem, pode ser,
mas creio que isto não se aplica aos cristãos que oram.
Quem ora não
tem do que reclamar, pois a partir do momento que oramos, os problemas deixam de
ser nossos e passam a estar nas mãos de Deus. Se, depois de orarmos, continuamos
a reclamar, fazemos isso sem direito algum, pois estamos reclamando daquilo que
não mais nos pertence. Podemos reclamar quando os motivos da reclamação
estiverem sob nosso poder, mas ao momento que colocarmos nas mãos do Altíssimo,
deixamos de reclamar e passamos a confiar no Senhor e no seu incomensurável
poder.
O apóstolo
Pedro escreveu em sua primeira epístola: "Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa
mão de Deus, para que Ele, em tempo oportuno, vos exalte; lançando sobre ele
toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós" (1 Pe 5.6,7). É
interessante notar como no versículo anterior (v. 5), o apóstolo orienta:
"cingi-vos todos de humildade". Isso será importante para quando "em tempo
oportuno - gr. kairós - "no tempo certo" -, ele nos exaltar" (v. 7).
A exaltação de
Deus, não no sentido de engrandecer-nos, como alguns pensam e querem, mas de
abençoar-nos, não nos deixa soberbos, porque "Deus resiste aos soberbos", mas
faz com que a nossa humildade permaneça, pois "aos humildes, Deus concede a sua
graça".
Preocupações
pessoais, angústias familiares, ansiedade pelo presente, cuidados pelo futuro,
por nós mesmos, por outros, pela igreja, tudo isso e mais um pouco, somos
convidados a lançarmos sobre Deus. Somos instados a pararmos de reclamar e
descansarmos em Deus. As Escrituras asseguram: Ele cuida de nós!
E como podemos
lançar nossas ansiedades em Deus? Podemos o fazer na oração (Sl 37.4, Mt 6.33).
O deleitar-se em Deus faz com que deixemos que as demais coisas sejam
acrescentadas em nossas vidas pelo Senhor (Mt 6.33b). Assim, nossa oração é
agradável a Deus, não somente porque oramos, mas também porque paramos para orar
e cremos em sua provisão. Largamos as outras coisas e nos apresentamos diante do
trono de Deus, por considerarmos este segundo infinitamente mais importante que
as demais coisas.
Portanto, quem
vive reclamando mostra que não confia em seu Senhor e não crê em seu infinito
poder, pois quem descansa em Deus não tem motivos para reclamações e dores de
cabeça, pois creem que o Senhor é "galardoador daqueles que o buscam" (Hb.
11.6).
Matthew Henry,
em seu comentário sobre o cap. 6 de Mateus, disse: "A conclusão de todo o
assunto é que é a vontade e o mandamento do Senhor Jesus que, pelas orações
diárias, possamos obter força para sustentar-nos sob nossos problemas
cotidianos, e armar-nos contra as tentações que os acompanham e não deixar que
nenhuma dessas coisas nos comovam. Bem-aventurados os que tomam o Senhor como
seu Deus, e dão plena prova disso confiando-se totalmente a sua sabia
disposição". Confiar e descansar - não reclamar! - é a ordem para nós!
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