Muitas
igrejas sinalizam as partes do culto com imagens luminosas.
Principalmente no tópico sobre adoração ou na hora dos corinhos.
Geralmente são imagens de cenários. Alguém de braços abertos diante do
mar, ou dum rio, ou, ainda, do pôr-do-sol. Os itens do culto são
marcados por fotos de ambiente externo. Normalmente, a foto é de uma
pessoa só, ou de uma família. Como a de uma família esbelta, vestida de
branco, calças arregaçadas, andando pela praia, de mãos dadas. Esta
ilustra a comunhão ou o momento de intercessão. Não sei se irão orar a
Iemanjá. Até “O Jornal Batista” adotou esta prática de ilustrar seus
artigos com imagens de cenários externos à igreja. Principalmente de uma
pessoa diante da natureza.
Preocupa-me a mensagem passada com estas projeções. Tira-se o foco do
local de reunião e se projeta para um lugar paradisíaco, como se a
igreja fosse “um porre”. Seria bom estar lá fora. Associa-se o culto com
o ambiente externo, e foca-se a pessoa. Há três perigos nisto.
O primeiro é a privatização da adoração. O que se mostra não são
pessoas no culto, mas uma pessoa, na natureza. Não é a reunião do povo
de Deus, mas a adoração pessoal. O coletivo dá lugar ao indivíduo. O que
vale é o que a pessoa faz e como ela se sente. A igreja não é
relevante. O referencial está fora dela e é vivido pela pessoa.
O segundo é que adoração passa a ser contemplação da natureza, e não
adoração a um Deus pessoal, com a família de Deus. Cultuar a Deus
torna-se admiração, êxtase, gestual, não reflexão que leva à ação. A
ética é omitida. Deus é mais o Criador que o Redentor. É mais a Força
que o Santo. Adoração é contemplar a criação, e não se render diante do
Redentor. Por isso, a igreja evangélica no Brasil, que enfatiza tanto o
êxtase e o ruído, tem problemas sérios com ética e caráter.
O terceiro é a desidratação da Igreja. Ela é irrelevante. Pode se
adorar a Deus vendo o mundo externo, ao invés de ficar cá dentro,
ouvindo a Palavra. Valorizam-se os sentimentos e não o culto público.
Por isso, vez por outra, neste culto a si mesmo, há quem diga: “Não
preciso da Igreja para seguir a Jesus”. De onde tirou tal tolice? Esta
declaração já mostra que não está seguindo a Cristo, mas sua idéia
própria. Jesus amou e fundou a Igreja. Ele nos inseriu nela. Crentes
combatentes da Igreja são vaidosos, cheios de si, ou estão em pecado.
Ou, ainda, ruins de relacionamento. Não sabem viver em grupo e o atacam.
O culto não é contemplar a natureza, mas é a reunião do povo de Deus.
A salvação é individual, mas não individualista. Por isso, menos foco
na natureza, e mais no povo de Deus. Mais foco no ambiente interno, a
comunhão dos santos, e menos no ambiente externo e na pessoa.
Usemos as figuras. Mas cuidado com mensagens subliminares.
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