
A carta de Paulo a Filemon é a mais breve entre as cartas que formam a coletânea paulina e consiste apenas em 335 palavras no grego original. É pequeno no tamanho e profundo em seu conteúdo. O ilustre comentarista bíblico Albert Barnes a chama de uma brilhante e bela gema no tesouro dos livros inspirados.
William MacDonald afirma que, embora essa carta não seja doutrinária como as demais missivas do apóstolo, é uma perfeita ilustração da doutrina da “imputação”.
Paulo se apresentou como mediador entre Onésimo e Filemon para quitar
todo o débito de Onésimo. A dívida de Onésimo foi colocada na conta de
Paulo, que se dispôs a pagá-la. Esse fato lança luz sobre a bendita
verdade de que nossa dívida impagável não foi colocada em nossa conta (2
Co 5.19), mas na conta de Cristo (2 Co 5.21), e Ele, com sua morte,
riscou o escrito de dívida que era contra nós, quitando completamente
nosso débito. Além disso, sua justiça completa e perfeita foi colocada
em nossa conta (2 Co 5.21).
Essa identificação é uma ilustração do que Jesus fez por nós. Lutero disse que todos nós somos Onésimos.
Jesus se identificou de tal forma conosco que o Pai nos recebe como ao
próprio Filho. Somos aceitos no Amando (Ef 2.6). Fomos vestidos com sua
justiça (2 Co 5.21). A palavra “recebe-o” no versículo 17 é receber
dentro do círculo familiar. Imagine um escravo entrando dentro do
círculo familiar do seu senhor. Imagine um pecador (como nós) entrando na família de Deus!
A seguir veremos os 5 fatos que revelam o valor dessa epístola:
1) O valor pessoal – Essa epístola nos
mostra de forma eloqüente o caráter do apóstolo Paulo. Transbordam dessa
pequena carta seu amor, humildade, cortesia, altruísmo e tato.
2) O seu valor providencial – Aprendemos
nessa carta que Deus pode estar presente nas circunstâncias mais
adversas (v. 15). Quando as coisas parecem fora de controle e as rédeas
saem das nossas mãos, descobrimos que elas continuam sob o controle
soberano de Deus. Aquilo que nos parecia perda é ganho. Deus reverte
situações humanamente impossíveis. Ele ainda transforma vales em
mananciais.
3) O seu valor prático – Se não há causa
perdida para Deus, também, não há vida irrecuperável. Onésimo era um
escravo rebelde e fugitivo. Nada havia nele que o pudesse recomendar. No
entanto, pela graça de Deus ele foi salvo, transformado e voltou à casa
de seu senhor não como um criminoso, mas como um amado irmão em Cristo,
membro da família de Deus.
4) O seu valor social – O cristianismo
venceu a escravidão não pela revolução das armas, mas pelo poder do
amor. Na época de Paulo a escravidão era uma dolorosa realidade. Os
estudiosos dizem que havia aproximadamente 60 milhões de escravos
naquela época. Os escravos não tinham direitos legais. Pela mínima
ofensa eles podiam ser açoitados, mutilados e até mesmo crucificados.
Porém, a conversão a Cristo uniu na mesma família da fé e na mesma
igreja senhores e servos. Amo e escravo foram unidos no Espírito Santo e
nessa união foram extintas todas as distinções sociais (Gl 3.28).
5) O seu valor espiritual – A carta de
Paulo a Filemon nos apresenta alguns símbolos notáveis da nossa
salvação: Onésimo abandonando seu amo. Paulo encontrando-o, intercedendo
em seu favor, identificando-se com ele. O seu oferecimento de pagar a
dívida e a recepção de Onésimo por Filemon por causa de Paulo; a
restauração do escravo solicitada “[...] em nome do amor” (v. 9). Todas
essas figuras lançam luz acerca da nossa grande salvação em Cristo.
Quero desafiar o nobre leitor [a] a ler e reler esta preciosa carta
de Paulo a Filemon. Uma carta tão pequena, mas de verdades sublimes e
eternas para as nossas vidas.
Nele, que nos livrou da escravidão e nos concedeu a verdadeira liberdade,
Nenhum comentário:
Postar um comentário