Deus
nos convida para entrarmos em sua presença. Ele nos diz que está
conosco e dentro de nós, que está esperando ouvir de nós, que é poderoso
e vai nos responder. Mais ainda, Ele nos fala quais os hábitos que
devemos desenvolver para usufruirmos de suas bênçãos.
Nossas
almas, como nossos corpos, têm requisitos de saúde e desenvolvimento.
Algumas pessoas não estão dispostas a pagar o preço para desenvolver
bons hábitos espirituais. Infelizmente, acabam pagando o mais alto preço
por males e até morte espiritual.
No
ano passado, um homem me procurou, desesperado. "Perdi meu emprego” —
contou. “Venho procurando trabalho há meses, sem resultado." O
desemprego não era seu pior problema. Ele continuou: "Sinto-me tão
sozinho nesta situação. Ninguém na igreja se importa. Chego a pensar, às
vezes, que nem Deus se importa. Sinto-me totalmente desamparado e sem
esperança."
Perguntei-lhe
sobre os seus hábitos espirituais. Alimentava a sua fé com
responsabilidade? Orava com regularidade, buscando comunhão com Deus e
ouvindo sua resposta? Ia à igreja com frequência? Mantinha amizade com
pessoas mais propensas a uma vida espiritual elevada? Procurava ajudar
outras pessoas com problemas?
Não,
ele não estava fazendo nada daquilo. "Não tenho tempo" - o homem
explicou. Com sutileza, comentei que, desempregado e solteiro, ele
dispunha de mais tempo do que em qualquer outra circunstância. Ele
dirigiu-me um olhar que parecia dizer: "Olha aqui, estou cheio de
problemas. A última coisa de que preciso, quando me encontro no fundo do
poço, é que um pastor venha me dar uma lista de obrigações."
O
homem queria que alguém sacudisse uma varinha mágica para lhe dar
ânimo. Dizia que desejava a presença de Deus em sua vida, mas não estava
disposto a formar hábitos que desenvolvessem sua saúde espiritual.
Disciplina rigorosa
Quando
fazemos da oração um hábito, permanecemos em sintonia com Deus e
abertos para receber suas bênçãos. Mas é preciso fazer duas advertências
em relação a isso.
A
primeira é para aqueles que gostam de listas e fórmulas, para os que
fazem anotações durante palestras, sublinham a leitura e já praticam um
rigoroso regime espiritual. Não aumentem a lista de deveres espirituais.
Vocês precisam de mais hábitos ou de hábitos mais eficientes? Você
precisa se sobrecarregar ainda mais ou levar sua carga pesada para
Jesus?
Receio
que, para um grande número de cristãos, a disciplina espiritual se
transforme em uma camisa de força recheada de exigências que sufoquem a
vitalidade, a espontaneidade e a aventura da vida e da fé. Para estas
pessoas, Cristo já não traz liberdade. A religião se torna um fardo
pesado. A maioria das pessoas não consegue viver muito tempo desta
maneira. Os poucos que conseguem desenvolvem uma postura tão hipócrita
que os demais ficam torcendo para que fracassem.
Gálatas
5.1 adverte os adoradores de listas: "Para a liberdade foi que Cristo
nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a
jugo de escravidão".
Uma decisão inegociável
Minha segunda advertência é para aqueles que caem no outro extremo, igualmente errado. Talvez alguém esteja pensando
que não precisa de nenhuma estrutura ou de hábitos rígidos para fazer o
coração crescer. É o tipo que "toca de ouvido". Segue o fluxo
espiritual Deixa o barco correr e Deus operar do jeito que quiser para
ver o que acontece.
Esta
atitude é, na melhor das hipóteses, ingênua; na pior, autoenganosa. Nós
não podemos crescer sem estrutura, sem um objetivo em relação a nossa
vida espiritual, do mesmo modo que não é possível perder peso,
desenvolver tônus muscular ou aumentar o patrimônio se permanecemos
sentados, esperando o que vai acontecer.
Se meu alvo é importante, tenho que me disciplinar para atingi-lo. Decido, com antecedência,
que o exercício para alcançar o alvo é inegociável, caso contrário, sem
sombra de dúvida, eu desisto na última hora. Por exemplo, um de meus
grandes objetivos é permanecer vivo e saudável. Sei que com minha
herança genética, eu seria louco se não fizesse exercícios fielmente,
todos os dias. Portanto, tomei uma decisão: vou correr e o tempo que
separo para correr é inegociável.
Eu
não espero para sair até sentir vontade. Vamos ser sinceros! Quantos
dias da semana eu tenho vontade mesmo de correr? Hoje não. Preciso ficar
mais um pouco no escritório. Meu biorritmo não está bom. Está um pouco
frio. Vai chover. O sol está muito quente. Meu tênis está apertado. Meus
joelhos doem. O sofá está convidativo. A lista é interminável.
Quando
levamos a sério nosso propósito de aprender a orar, é hora de tomar uma
decisão: quero aprender quais são as disciplinas necessárias para a
minha vida de oração e vou praticá-las com regularidade, sem falhar.
Manter
bons hábitos de oração é inegociável. Eu sei que a vontade, sem
disciplina, por si mesma não gera um relacionamento entre mim e Deus. Ao
mesmo tempo, reconheço que não desenvolverei uma vida de oração rica e
recompensadora se tentar fazê-lo sem disciplina.
Jesus não fez objeção ao pedido. Aproveitou a oportunidade para ensiná-los a orar, como vemos em Mateus 6.5-13.
Nenhuma
outra passagem das Escrituras explica com tanta clareza como orar e o
conselho que Jesus deu aos discípulos há dois mil anos se aplica a nós,
ainda hoje:
• Ore regularmente. Jesus disse "quando você orar", não "se você orar".
• Ore em particular. Deus não se impressiona com demonstração pública de piedade.
• Ore com sinceridade. Deus não está interessado em fórmulas. Ele deseja ouvir o que vai em nosso coração.
• Ore especificamente. Tome a oração que conhecemos como a oração do Senhor ou Pai-Nosso como modelo.
"Trecho do livro Ocupado Demais Para Deixar de Orar, de Bill Hybels"

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