A
vida é feita de desafios. Já na concepção há o desafio do espermatozóide atingir
o óvulo e fecundá-lo. Daí por diante, os desafios se multiplicam: o
desenvolvimento fetal, o parto, a educação, o crescimento, trabalho, casamento,
etc…
Muitos
desses desafios somente serão coroados de êxito, se forem percebidos como
desafios que transcendem a realidade física, material e terreal. Exemplo disso
pode ser visto na conquista da terra prometida: Quando 12 espias subiram para
olhar a terra e seus moradores. No retorno não havia alegria, não havia
perspectiva festiva de consolidação da caminhada: “Nós nos víamos como
gafanhotos…” A conquista da terra que desde o início foi um projeto de fé,
perdeu sua significância quando decidiram caminhar pelo que seus olhos terrenos
contemplavam,… O mesmo aconteceu em um outro momento, quando o exército sírio
organizou-se com a finalidade de prender Elizeu (2 Reis 6). A cidade estava
cercada, sitiada por forte aparato militar contrário. O jovem que servia ao
profeta volta assustado e dizendo: “Como escaparemos ? O que faremos ? O profeta
no entanto, pede a Deus que lhe abra os olhos para ver que há desafios que são
vencidos com os olhos da fé: “Mais
são os que estão conosco do que os que estão com ele…” Há coisas que somente os
olhos espirituais conseguem perceber. Há vitórias que só mesmo os olhos da fé
podem nos trazer!
Nicodemos
era um varão judeu, religioso, apresentado como um dos maiorais dos judeus. Este
personagem aparece 3 vezes no Evangelho de João. Em João 3, 7 e 19. Em cada uma
dessas suas aparições, fica notório um avanço em seu compromisso com Cristo. No
primeiro texto ele confronta a Jesus sobre o novo nascimento. No segundo texto
ele defende Jesus diante do Sinédrio e no terceiro texto ele participa com José
de Arimatéia do levantamento de especiarias para o túmulo de Jesus.
Todavia,
o texto que nos interessa é o o capítulo 3. Jesus há pouco iniciara seus
ministério realizando sinais. O primeiro sinal do Evangelho de João é narrado no
capítulo 2 quando ele transforma água em vinho. Isso se deu na Galiléia. Logo
após, Jesus desce com seus discípulos para Jerusalém por conta da proximidade
das festividades da Páscoa (João 2.13). Em Jerusalém ele realiza outras curas e
sinais que são descritos de maneira generalizada (João 2.23). Certamente isso
gerou diversos comentários sobre a origem de tal poder e autoridade. Neste
ínterim, Nicodemus vai á casa onde Jesus estava, por ocasião da noite, para uma
entrevista com o mestre. Há algumas lições interessantes no texto:
1.
O HOMEM NATURAL NÃO COMPREENDE A VERDADE ESPIRITUAL
O
apóstolo Paulo ao escrever aos Coríntios dizia isso: “Ora, um homem natural não
aceita as cousas do espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode
entende-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Coríntios
2.14).
O
homem natural é aquele que não nasceu de novo, não experimentou a regeneração da
parte de Deus em sua vida. É a pessoa que ainda que tenha boa intenção para com
as coisas da fé, não é salva e não consegue absorver, entender e discernir as
coisas do Espírito. Ao homem sem a salvação, Paulo dá o nome de homem
natural.
Nicodemus
vem a Jesus nesta condição. Não importa a graduação social que alguém tenha, sem
nascer de novo, é um homem natural que desconhece os mistérios do Espírito de
Deus.
O
homem natural se apercebe apenas das coisas externas. Foi assim que Nicodemus
portou-se diante de Jesus: “Ninguém pode fazer estes sinais, se Deus não estiver
com ele” (v.2). O que chamava a atenção de Nicodemus eram os sinais exteriores.
As coisas externas que apenas os olhos materiais e terreais contemplam. Samuel
fora advertido por Deus sobre esta preocupação quando da unção de um novo rei na
casa de Jessé, pai de Davi. Ao contemplar o mais velho dos filhos achou que
estava diante do ungido de Deus. “O Senhor não vê como vê o homem… o homem vê a
aparência”.
Rev.
Ronaldo Lidório em seu livro: Liderança e Integridade diz que somos seres
construtores de máscaras. Como seres construtores de máscaras, as elaboramos
para aparentar o que não somos e esconder o que de fato realizamos. Nesta
tarefa, 3 tipos de máscaras são construídas:
-
máscaras para enganar os de longe
-
máscaras para enganar os de perto
-
máscaras para enganar a si mesmo…
Nicodemus
era um intelectual de seus dias, mas incapaz de compreender as verdades
espirituais pois um homem natural é incapaz desta realidade. Tentar convencer
racionalmente um descrente sobre as verdades da fé, é algo ineficaz. Ainda que
ele se dê por vencido, todavia para nada isso lhe adiantará. É preciso nascer de
novo.
2.
O HOMEM RELIGIOSO NÃO ENTENDE A DINÂMICA DO REINO DEUS
O
texto de João 3 afirma que Nicodemus era um homem religioso. Em João 7 ele lida
com os maiorais de sua fé. Certamente, ele era um sujeito conhecedor das
principais diretrizes da religião judaica, apreciador das normais que davam
sustentação àquela fé. Mas ser religioso não tem nada com o Reino de Deus. O
reino de Deus não é uma extensão nova da religião. Jesus disse que “não se põe
vinho novo em odres velhos”. Há uma quantidade enorme de pessoas hoje em dia,
tão religiosas quanto Nicodemus e ao mesmo tempo tão distantes do Reino de
Deus.
Era
algo absurdo para Nicodemus o nascer de novo! Como seria isso ? Seria necessário
voltar para o ventre materno ? Como um homem velho nasce de novo ?
Jesus
declara em João 3.10 – “Como sendo tu mestre em Israel e não compreendes estas
cousas ?”
Ser
religioso não significa que haja compreensão das verdades do Reino de
Deus.
3.
O HOMEM TERRENO NÃO PODE IMAGINAR A REALIDADE CELESTIAL
As
palavras de Jesus a Nicodemus, ao final desta explanação são confrontadoras:
“Se, tratando das cousas terrenas, não me credes, como crereis, se vos falar das
celestiais ?” (v.12).
Como
um homem preocupado com as questões terrenas pode absorver e vivenciar as
realidades celestiais ? Como alguém cujo coração se volta para o que comer, o
que vestir, o que beber entenderá os mistérios do reino ? Quanto a isso foi que
Jesus declarou: “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e as demais coisas
lhes serão acrescentadas”.
Paulo
declarou aos Coríntios: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais
penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1
Coríntios 2.9).
Já
ao Romanos Paulo declara: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do
tempopresente não podem ser comparardos com a glória a ser revelada em nós”
(Romanos 8.18).
Curiosamente,
a musica de John Lenon – IMAGINE se comparada com os textos de Apocalipse 21 e
22 é quase que um plágio das Escrituras. Lenon dizia que era preciso imaginar!
Imaginar um mundo sem céu (Imagine there’s no heaven)… pois o céu é a própria
realidade em que se vive; imaginar um tempo sem uma expectativa futura (Imagine
all the people Living for today)… não há mais o que se esperar, pois o que se
esperava aconteceu.
imaginar
um mundo sem fronteiras (Imagine there’s no countries)… pois haverá apenas um
reino o de Deus; imaginar um mundo sem religião (And no religion too), pois Deus
estará com todos os seus e será tudo neles… O que Lenon imaginava, era o que a
Palavra diz sobre a realidade futura que espera o povo do Senhor…. mas isso o
homem natural, religioso e terreal não consegue apreender!!!! Para ele tudo era
pura imaginação. Para os que nascem de novo, é a realidade descrita como
salvação!
Quantos
como Nicodemus, Lenon e outros mais, sonham com uma realidade que é possível a
partir do novo nascimento ? E Jesus encerra informando que o novo nascimento
está associada a compreensão do amor de Deus: “Porque Deus amou o mundo de tal
maneira que deu seu filho unigênito para que todo aquele que nele crer não
pereça, mas tenha a vida eterna
Nenhum comentário:
Postar um comentário